terça-feira, 12 de abril de 2011

"janelas de simplicidade"


No fundo, há dois tipos de pessoas: o das que nos tentam conhecer (e que nos acham complicados) e o daquelas que, quando se dão, nos tornam mais simples e mais compreensíveis. Até para nós. Será isso, acho eu, o "olhai por nós" de duas pessoas numa relação com qualquer coisa de divino: transformam duas complexidades numa janela de simplicidade.
São as pessoas que nos fazem sentir acompanhados (e mais simples) quem nos ajuda a perceber que não estamos sós. E são elas que, de forma fulgurante, sempre que nos levam pela mão, por entre as dúvidas que esclarecem, nos fazem entender que amar e conhecer andam, mais do que parece, de braço dado.
Um psicanalista inglês, Wilfred Bion, aproximou muito amar e conhecer. Dando a entender que, de alguma forma, são as pessoas que nos ligam à vida quem nos conduz ao conhecimento. Conhecer seria, assim, amar. E vice-versa... Mas eu não acho.
Parece-me, antes, que amar é reconhecer. Reconhecer, no sentido de quem se conhece duas vezes. Por fora. E por dentro.
Reconhecer como forma de nos reconhecermos, insaciavelmente, em alguém que faz parte de nós.
Reconhecer como uma estranheza que se esclarece, sempre que alguém precioso nos reconhece, mesmo quando não sabemos quem somos.
E reconhecer de gratidão. Pelos gestos de reconhecimento que se trocam quando se ama.
Reconhecermo-nos em alguém... desabafa-nos. Isto é, alivia a angústia de estarmos abafados nas dúvidas com que se constrói a nossa solidão.
E de cada vez que alguém se reconhece em nós... transforma-nos. Olha para além de nós; olha por nós. Sem que com isso sobreponha o seu olhar ao nosso.
Talvez amar seja, realmente, reconhecer. E será por isso que, quando olhamos para o nosso coração, nos doa sempre um bocadinho. Porque talvez sobrem as pessoas que olham para nós, e nos achem complicados... Com o tempo, parecem tornar-se quase nenhumas as pessoas que olham por nós... e nos reconhecem.
As miragens são todas aquelas pessoas que, sempre que as imaginávamos capazes de nos tornarem mais simples e mais compreensíveis, nos decepcionam. É por isso que as miragens nunca acontecem por influência da luz do sol, quando o olhamos de frente. Só muito tarde descobrimos que as miragens nascem e crescem presas às pessoas que, em vez de janelas de simplicidade, criam labirintos no nosso coração. E nos levam a reparar, sempre que olhamos para trás, que - em vez de transparência - surge opacidade.
Uma miragem é tudo aquilo que, no lugar de pessoas luminosas, cresce sob a forma de vultos, penumbras, e com um insustentável sentimento de estranheza. Porque com a ilusão de haver quem nos conheça, as miragens dão-nos quase tudo o que nos faz falta. Menos o que só o amor e o reconhecimento transformam numa janela de simplicidade.

Eduardo Sá
Chega-te a mim e deixa-te estar

quarta-feira, 6 de abril de 2011

cap ou pas cap?

We were back in the game! Pure, raw, explosive pleasure! Better than drugs, better than smack. Better than a dope-coke-crack-fix-shit-shoot-sniff-ganja-marijuana-blotter-acid-ecstasy! Better than sex, head, 69, orgies, masturbation, tantrism, Kama Sutra or Thai doggy-style! Better than banana milkshakes! Better than George Lucas’ trilogy, the Muppets and 2001! Better than Emma Peel, Marilyn, Lara Croft, and Cindy Crawford’s beauty mark! Better than the B-side of Abbey Road. Better than Hendrix, the first man on the moon, Space Mountain, Santa Claus, Bill Gates’ fortune, the Dalai Lama, Lazarus raised from the dead, Schwarzenegger’s testosterone shots, Pam Anderson’s lips, woodstock, raves. Better than de Sade, Rimbaud, Morrison and Castaneda. Better than freedom, better than life!


From: "Cap ou pas cap?"/ "Love me if you dare"

segunda-feira, 28 de março de 2011

Ha’u ba toba

O Land Cruiser é um autêntico tanque de batalha… e o caminho até ao SISCa é uma autêntica aula de dança, a famosa “dança SISCa” que consiste basicamente em deixarmos o corpo ser levado pelos solavancos da karreta (carro) e tem um objectivo muito claro – não bater com a cabeça no tecto do mesmo.
Depois de uma viagem como a da ida a Baricafa, depois da confusão do SISCa, depois de 60 crianças vistas…
ha-u ba toba… = eu vou dormir
21 de Março

Amor e uma cabana

Não há maior cliché que esse.
Há quem diga que acreditar nisso é pura neurotiquice.
Eu, no entanto, digo e repito: fico com a neurotiquice, com a cabana e com o amor...
Bele? = Posso?


26 de Março

Treinamento BESI

BESI… Bee saneamentu no igiene = Água, saneamento e higiene

Uma semana e meia de experiência timorense e eis que tomo consciência de que estou numa sala com mais 20 timorenses a falar sobre um novo formato de diagnóstico e intervenção ao nível da saúde ambiental … em tétum
Eis também que me vêm à mente memórias de mim, pirralha de 3-4 anos a olhar fascinada para a televisão onde passava um filme inglês, com legendas, as quais não sabia ler.
Posso dizer que qualquer semelhança entre as situações não é pura, nem impura coincidência. Mas posso também dizer que em ambos os casos me diverti à grande.

No fim, por incrivel que pareça, o imaginado e o real não ficaram assim tão longe um do outro… :)

02 de Março

domingo, 27 de março de 2011

“Jaco, um paraíso na terra”

Podia bem ser um slogan de uma qualquer agência de viagens, no entanto, é caso que justifica fazer lobby junto de todos os “santinhos” ou até da “bunda Maria” (que é como quem diz santa Maria em tétum) para que mantenham esta ilha “sugatida” e em paz, longe de grandes movimentos ou massas turísticas. Um paraíso de águas deliciosamente límpidas e mansas nas quais mergulhamos num êxtase de pura … simbiose com o mundo.

terça-feira, 8 de março de 2011

Ami ba Lospalos


Ha’u ba uma (vou para casa)

Lospalos, esta grande cidade, será o meu cantinho durante o próximo ano.
Qualquer semelhança com a minha toca na Graça, é puro devaneio.
A sua extenção enormesca permite-nos dar um passeio para conhecer os seus recantos em cerca de 30 min em passo neineik (lento).
Pensemos assim: na graça não há bambis, nem caraus, nem escorregas de cimento e aqui tenho 3 quartos uma sala enormesca, cozinha e uma casa de banho. Considero isto um upgrade :)


19 Fevereiro

Lakoi

Caminhamos pelas ruas de Dili e aqui vende-se pulsa a cada passo que se dá. Os mercadinhos castiços, lojas com roupa, com electrodomésticos, com playstations "..."
Lakoi maun, obrigada.

18 Fevereiro

Cheguei a Timor Leste e fui recebida por um bafo quente e familiar.
A paisagem verdejante, as estradas nos buracos, os táxis amarelos estranhamente impecáveis, motas com mais passageiros do que o suposto, bancas de venda hortícola e pessoas, pessoas que vivem as suas vidas , pessoas que dirigem cumprimentos aos novos Malai’s.
Se em São Tomé a saudação se dirigia aos brrancos a pedir doci, doci ou simplesmente para esboçar um sorriso, aqui os estrangeiros são malai’s e são acarinhados com bondia’s, botarde’s e diak ka lae.

17 Fevereiro

sábado, 5 de março de 2011

Há dias em que tudo nos dá vontade de...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

farta

da espera, dos muitos "ses", de criar e falar de expectativas.
acho que cheguei a um ponto em que ouvir a palavra timor faz-me sentir um nó na garganta
só quero é chegar e começar a fazer coisas.

impasse

raios parta

domingo, 23 de janeiro de 2011



Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da minha vida!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

a melancolia da solidão confunde-se
no embranhar de palavras
que escorrem, escorregam, fluem e convergem num só momento...
ao seguir
por entre espaços
apertados
esguios

emerge o pensamento
de voltar atrás
as entranhas revoltam-se
as borboletas voam
numa barafunda desenfreada
gelida e aconchegantemente
tua

e...
sem nexo nenhum
nem motivo algum
não apetece mais fugir

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010